Agatha Christie: a menina dos olhos do entretenimento?

Livros de Agatha Christie expostos no estande da L&PM na Bienal do Livro São Paulo em 2012.

Os livros de Agatha Christie são os mais vendidos do mundo, mesmo após sua morte, em 1976. A autora inglesa está no Guinness Book porque seus livros venderam mais de 4 bilhões de cópias em 103 idiomas, atrás somente de William Shakespeare e da Bíblia Sagrada. Antes de se tornar a Rainha do Crime, Christie teve livros recusados por várias editoras, mas o reconhecimento começou em 1920 com O Misterioso Caso de Styles, primeiro romance com seu personagem mais famoso: o detetive belga Hercule Poirot.

No cinema e na TV, a obra de Christie é bastante adaptada. Na telinha, a BBC produziu inúmeras produções com os personagens Miss Marple e Hercule Poirot. Este último, por exemplo, um detetive vaidoso com um chamativo bigode como sua marca registrada, já foi protagonista de filmes dirigidos por Billy Wilder (Testemunha de Acusação) e Sidney Lumet (Assassinato no Expresso do Oriente).

Estamos no século XXI e as histórias de Agatha Christie ainda rendem adaptações. Assassinato no Expresso do Oriente ganhará nova versão produzida por Ridley Scott e dirigida por Kenneth Branagh, conhecido por suas adaptações de Shakespeare. Angelina Jolie está em negociações para atuar no filme. Já a BBC tem planos de adaptar vários livros da Rainha do Crime em comemoração aos 125 anos da escritora. Uma minissérie baseada em Testemunha de Acusação entrou em fase de pré-produção no canal.

Na montagem: Agatha Christie (ao meio) e as atrizes Emma Stone (esq.) e Alicia Vikander (dir.)

Na montagem: Agatha Christie (ao meio) e as atrizes Emma Stone (esq.) e Alicia Vikander (dir.)

O mais curioso são sobre as produções biográficas de Agatha Christie que serão feitas quase simultaneamente por Hollywood. Lembrando o mesmo caso de Truman Capote, que ganhou dois filmes num período de um ano, Agatha pode ser interpretada por duas atrizes distintas e talentosas.

Os estúdios Sony e Paramount planejam projetos diferentes sobre a autora britânica, mas com dilemas em comum: conseguir autorização da família de Christie, que possuem direitos das obras dela e costuma dificultar os projetos. Segundo sites de cinema, o novo Assassinato no Expresso do Oriente foi negociado durante sete anos antes de obter sinal verde para aprovação.

Caso os estúdios consigam chegar a um acordo com herdeiros dos direitos autorais de Christie, a Paramount pensa em Emma Stone como Agatha, sobre seu desaparecimento de 11 dias no ano de 1926. Já a Sony quer a vencedora do Oscar Alicia Vikander no papel da escritora com foco em seu lado “mulher acima de seu tempo” e sobre a amizade que a escritora construiu com figuras como Arthur Conan Doyle e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill.

E você? Qual cinebio vai se sair melhor nessa disputa? Deixe suas expressões nos comentários.

Literatura: Azul é a Cor Mais Quente

“Emma… você tinha me perguntado se eu acreditava no amor eterno. O amor é abstrato demais, e indiscernível. Ele depende de nós, de como nós o percebemos e vivemos. Se nós não existíssemos, ele não existiria. E nós somos tão inconstantes… Então, o amor não pode não o ser também.” (p. 157)

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Clémentine tem 15 anos, está no auge de sua adolescência: cursa o ensino médio, está começando a se descobrir, mas ela sente algum tipo de dificuldade de aceitar a si mesma. Seus pais são tradicionalíssimos, assim como alguns de seus colegas de classe. Já Emma é uma estudante de artes, cabeça aberta e de madeixas azuis. O destino acaba unindo-as ao cruzar a rua.

Azul é a Cor Mais Quente é contado sob o ponto de vista de Clémentine através de diários deixados por ela para Emma. Ao longo da leitura, conhecemos mais sobre o que deixa Clémentine insegura em assumir o que ela realmente é por causa do que as pessoas ao seu redor possam pensar sobre sua pessoa, já que o amor entre Clémentine e Emma nasce em meio a um ambiente tradicional, onde o homossexualismo ainda é um tabu.

Julie Maroh acerta pela junção de HQ com uma história literal e as cenas ousadas não estão ali com intenção de chamar atenção, mas são pontos fundamentais para que a tensa paixão entre as duas seja retratada com toda a honestidade possível. Personagens secundários como Sabine (namorada de Emma), Valentin (melhor amigo homossexual de Clémentine), os pais de Clémentine e alguns colegas da escola possuem sua importância como complemento ao amor proibido entre as protagonistas.

Azul é a Cor Mais Quente é por si só uma HQ diferente: trágica e bela, um Romeu e Julieta moderno. Deixando a sensação de que não importa sua orientação sexual, o amor verdadeiro é tudo na vida de duas pessoas, mesmo com uma sociedade cada vez mais intolerante e que necessita de uma reflexão imediata, principalmente em aceitar o próximo do jeito que ele é.

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Azul é a Cor Mais Quente (Le bleu est une couleur chaude, 2013)

Autor (a): Julie Maroh

Editora: Martins Fontes – selo Martins.

Vai um livro ai?

Para mim, os livros são uma bela terapia, um remédio contra a tristeza que a realidade transmite. Independente da história, você se sente bem ao pegar um livro e conhecer outros lugares sem sair de onde você está. Hoje, 23 de Abril, é comemorado o Dia Internacional do Livro. Para estimular ainda mais esse dia, vemos algumas pessoas bacanas em momentos descontraídos com suas leituras.

Audrey Hepburn, que eternizou Holly Golightly, personagem literária criada por Truman Capote, considerava “O Diário de Anne Frank” o seu livro favorito.

A eterna musa francesa Brigitte Bardot em seu momento leitora.

James Dean fuma acompanhado de uma coletânea de James Whitcomb Riley.

James Dean fuma acompanhado de uma coletânea de James Whitcomb Riley.

Keira Knightley, musa de adaptações literárias como “Anna Karenina” e “Orgulho e Preconceito”.

Em seu tempo livre, Marilyn Monroe apreciava um bom momento literário. Aqui, ela aparece lendo uma obra do então marido, o autor e pensador Arthur Miller.

"Arte, Verdade e Política", de Harold Pinter, é o livro favorito de Marion Cotillard.

“Arte, Verdade e Política”, de Harold Pinter, é o livro favorito de Marion Cotillard.

Alfred Hitchcock devorou todo o livro, literalmente!

Alfred Hitchcock devorou todo o livro, literalmente!

Vanessa Redgrave deu uma pausa no passeio de bicicleta para colocar a leitura em dia.

Vanessa Redgrave deu uma pausa no passeio de bicicleta para colocar a leitura em dia.

E você? Qual livro mais te marcou? Conte nos comentários suas preferências e leituras recentes! 😉

Tá servido de literatura?

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Café da manhã feito por Lisbeth Salander no livro “Os Homens que não Amavam as Mulheres” (2005), de Stieg Larsson

É super normal lermos um livro e começarmos a imaginar os lugares e até mesmo o que os personagens vestem ou comem. É baseando-se nessa ideia de que nossa imaginação pode ir além das páginas, a designer Dinah Fried reuniu comida e literatura em seu livro Fictitious Dishes: An Album of Literature’s Most Memorable Meals (Pratos Ficcionais: Um Álbum das Refeições Mais Memoraveis da Literatura).

Na obra, ela mesma recriou e fotografou os pratos de 50 obras literárias e segundo a própria Dinah, o projeto Fictitious Dishes veio da mistura entre a descoberta e a lembrança dos tempos que as histórias foram baseadas.

As obras retratadas no livro estão Alice no País das Maravilhas, Moby Dick, O Grande Gatsby, On the Road e muitos outras obras clássicas. Infelizmente, o projeto literário ainda não possui previsão de lançamento nas livrarias brasileiras, mas é possível conferir alguns exemplos abaixo e no site da Fictitious Dishes aqui

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Festa do chá em “Alice no País das Maravilhas” (1865), de Lewis Carroll

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Sanduíche de queijo suíço e leite maltado de “O Apanhador no Campo de Centeio” (1951), de J. D. Salinger

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Presuntos temperados, torradas, saladas e croissants na mesa de Jay Gatsby em “O Grande Gatsby” (1925), de F. Scott Fitzgerald

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Torta de maça e sorvete de creme de “On the Road” (1957), de Jack Kerouac

Crédito das fotos: dinahfried.com

Livros no cinema em 2014

É super normal após o anuncio de uma adaptação cinematográfica de livro começar a procurar a obra original e – porque não – imaginar os atores nos personagens e como será o tratamento que os profissionais de cinema farão, mas são poucas as produções que conseguem a fidelidade ou ao menos, manter a essência da literatura.

2014 terá adaptações esperadas de best-sellers e autores conhecidos do grande público como Dostoiévski, Saramago, Le Carré, Hornby e até John Green.

A Arte de Produzir Efeito Sem Causa, Lourenço Mutarelli

Com o nome de Quando Eu Era Vivo, o filme que tem Antonio Fagundes, Marat Descartes e a cantora Sandy Leah nos papeis principais, é sobre um homem divorciado que cria uma obsessão pelo passado da família, com consequências perturbadoras. O filme estreia agora em 31 de janeiro.

A Culpa é das Estrelas, John Green

Novo fenômeno literário mundial, a obra é sucesso de público e crítica literária pela sensibilidade em contar a história de uma menina com câncer que conhece um rapaz em um grupo de apoio para jovens com câncer. O filme terá Shailene Woodley, Laura Dern e Willem Dafoe.

Alexander_and_the_Terrible,_Horrible,_No_Good,_Very_Bad-Day

Alexander and the Terrible, Horrible, No Good, Very Bad Day, Judith Viorst

O clássico livro infanto-juvenil norte-americano publicado em 1987 acompanha Alexander que está passando por um dia pior por causa de uma pastilha elástica no cabelo. Steve Carell e Jennifer Garner lideram o elenco e a Disney produz.

A Long Way Down, Nick Hornby

Pierce Brosnan, Aaron Paul (o Jesse de Breaking Bad) e Toni Collette estão desesperados com suas vidas e o destino acaba juntando-os num telhado em plena noite de Ano Novo e decidem fazer um pacto de vida.

All You Need is Kill, Hiroshi Sakurazaka

Tom Cruise e Emily Blunt são protagonistas da ficção científica sobre soldados lutando em uma guerra com alienígenas. Doug Liman (A Identidade Bourne, Sr. e Sra. Smith) dirige No Limite do Amanhã.

Divergente, Veronica Roth

Divergente é o primeiro livro de uma trilogia que promete entrar na mesma linha de um Jogos Vorazes. A protagonista interpretada por Shailene Woodley (olha ela aqui novamente!) precisa decidir entre as pessoas que ama ou ser quem ela é. Kate Winslet e Ashley Judd também estão no filme.

O Doador de Memórias, Lois Lowry

Em uma sociedade perfeita, um menino resolve questionar os valores desse conjunto. A adaptação cinematográfica conta com Jeff Bridges, Meryl Streep e a cantora Taylor Swift.

O Duplo, Fiódor Dostoiévski

Dostoiévski escreveu O Duplo um ano após o lançamento de Pobre Gente, seu livro de estreia. No cinema, será uma comédia sobre um sujeito que decobre que existe alguém igual a ele. Jesse Eisenberg e Mia Wasikowska estrelam o longa.

katnissA Esperança, Suzanne Collins

O último livro da trilogia Jogos Vorazes será dividido em dois filmes, com o primeiro sendo lançado no fim de 2014. Jennifer Lawrence retorna como Katniss.

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Garota Exemplar, Gillian Flynn

O suspense sobre um homem suspeito do assassinato da esposa vai chegar as telonas sob os cuidados de David Fincher. Ben Affleck interpreta o marido, enquanto que Rosamund Pike é a sua mulher.

O Homem Duplicado, José Saramago

Considerado uma das grandes obras do autor português. Jake Gyllenhaal vive uma vida chata até rever um filme, deparando-se com alguém igual a ele. O diretor Denis Villeneuve e Gyllenhaal repetem a parceria de Os Suspeitos.

O Homem Mais Procurado, John Le Carré

Este livro não foge muito de outras histórias de Le Carré, como O Espião que Sabia Demais. Recentemente exibido no festival de Sundance, a obra é estrelada por Philip Seymour Hoffman, Rachel McAdams, Robin Wright, Willem Dafoe e Daniel Brühl.

Horns, Joe Hill

Joe Hill é filho do escritor Stephen King e segue os passos do pai com o horror Horns. O “Harry Potter” Daniel Radcliffe é o protagonista.

Sob a Pele, Michel Faber

A história é sobre uma alienígena interpretada por Scarlett Johansson, que vem a Terra em busca de complexidade e experiências. A adaptação causou opiniões diversas no último festival de Veneza.

Thérèse Raquin, Émile Zola

O livro causou polêmica na época por causa da premissa de adultério que envolve três personagens. A Thérèse do título, que vive em um casamento infeliz com o primo, se apaixona pelo amigo deste. No filme, estão Elizabeth Olsen, Tom Felton (o Draco Malfoy de Harry Potter), Oscar Isaac e Jessica Lange.

Feliz livro nosso de cada dia…

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Hoje, 23 de abril, é comemorado o dia mundial do livro. O que muitos não sabem é que essa data teve origem na Catalunha, Espanha em 7 de outubro de 1926, comemorando o aniversário de Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote. Posteriormente, em 1996, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, ou simplesmente, UNESCO, instituiu o já atual 23 de abril como a data oficial, em razão do aniversário de morte de William Shakespeare e do próprio Cervantes.

Mas, teoria à parte, a literatura é o maior companheiro não só de uma pessoa apaixonada por artes, mas também de quem está à procura de um escape da realidade. Até mesmo o cinema ficou seduzido para tentar entregar histórias diferentes, em que nem sempre proporciona a mesma experiência de um livro de 200 páginas, por exemplo.

Inspirações ambiciosas para muitos, um escape de outro mundo para outros. Os livros são companheiros para toda hora que precisar e quando uma história está muito boa, é meio difícil finalizar. Para aqueles que não são muito adeptos, comecem com um livro pequeno, com ele o gostinho de quero mais acaba surgindo. E aos leitores de plantão, já folheou seu livro hoje?