Me Chame Pelo Seu Nome

Existem momentos em nossa existência que estamos na “fase de descobrimento”. Seja no lado profissional ou até mesmo no íntimo. E especialmente na transição entre a adolescência e a vida adulta quando temos sentimentos aflorados, desde o início da puberdade até as paixonites da escola. E Me Chame Pelo Seu Nome é uma carta aberta ao desejo e as descobertas de um jovem adulto.

Em algum lugar no norte da Itália, vemos Elio (Timothée Chalamet), de 17 anos, filho único de uma família norte-americana, com ascendência italiana e francesa. No verão, sua rotina é resumida a ler livros, transcrever música erudita, nadar no rio local e sair à noite. Os pais de Elio (Michael Stuhlbarg e Amira Casar) possuem uma visão bastante cultural em relação à vida e fazem questão de passar essa educação ao menino. O pai de Elio, um professor universitário, recebe a visita de um estudante de Arqueologia chamado Oliver (Armie Hammer) para auxiliá-lo durante seis semanas em uma pesquisa envolvendo a arte greco-romana.

Oliver é um homem com uma beleza bastante exótica, que acaba conquistando todos ao redor dele não só por esse detalhe, mas também pelo seu carisma e inteligência cultural. No começo, Elio e Oliver passam pela cordialidade de se conhecerem há pouco tempo, depois pela antipatia até chegarem a uma relação intensa e de descobertas tanto para Elio quanto para Oliver.

Baseado no romance do autor egípcio André Aciman, o roteiro escrito por James Ivory (diretor e roteirista de Vestígios do Dia) retrata um ambiente familiar livre de algum tipo de tabu e bastante rica, culturalmente falando. Elio passa por um momento de confusão não só pelos seus sentimentos por Oliver, mas também por estar se descobrindo sexualmente e em nenhum momento é julgado por isso.

A direção de Luca Guadagnino é sensível ao mostrar a descoberta do amor e passar ao espectador que Elio e Oliver podem representar qualquer história, independente do gênero. Guadagnino transpõe a sensualidade em pequenos detalhes, como a arte do epicurismo é retratada e também como sua câmera destaca a pele, literalmente. O ritmo é lento na medida em que os personagens principais estão se descobrindo apaixonados.

As atuações também seguem toda essa sensibilidade que a história possui. Timothée Chalamet transmite tanta verdade a seu Elio, um adolescente esperto, mas ao mesmo tempo ansioso e inseguro com seus sentimentos. A sua química com Armie Hammer é bem desenvolvida. Hammer também está ótimo: seu Oliver começa o filme bastante confiante, mas também mostra sensibilidade que estava escondida na aparência sedutora. Já Michael Stulhbarg tem uma marcante presença na tela como o pai de Elio, Mr. Perlman.

Me Chame Pelo Seu Nome é um retrato sobre os conflitos sentimentais que passamos ao longo de nossa existência e de como um primeiro amor pode balançar a vida de qualquer pessoa, independente da sexualidade, nacionalidade e até classe social. Também é uma obra que cria reflexões sobre as relações humanas em meio aos contornos artísticos e naturais.

★ ★ ★ ★ ★

Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name, 2017)
Direção: Luca Guadagnino
Roteiro: James Ivory (baseado no livro escrito por André Aciman)
Elenco: Timothée Chalamet, Armie Hammer, Michael Stuhlbarg,  Amira Casar, Esther Garrel, Victoire Du Bois, Vanda Capriolo, Antonio Rimoldi, André Aciman, Peter Spears

Anúncios